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domingo, 24 de julho de 2011

Aprendendo a amar mais - Learning to love you more

Numa leitura de internet me indicaram esse site e me derreti por ele. "Learning to love you more" foi criado com a seguinte proposta: a partir do cumprimento de tarefas especificas, sugeridas no site, seriam criadas fórmulas como sugestões de vivenciar a felicidade.


Numa das minhas andanças por lá, encontrei o seguinte post: As pessoas deviam executar a seguinte tarefa: criar um banner que as encorajasse a concretizar coisas boas. Separei alguns deles que me encantaram:
















Dedico a tantas pessoas especiais da sua forma.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Diálogo (Pseudo) de um café

_ Um capuccino, por favor. E você ?

_ Um café aromatizado de macadâmia. mas então, você vinha dizendo...

_ Tive um colapso nervoso dia desses. Já mencionei minha terapeuta pra você, não?

_ sim, sim ...

_ Pois bem, minha última sessão ainda está bem marcada nas minhas reflexões, debatíamos as posturas do gênero feminino pós-moderno, e foi de um resultado intenso e complexo.

_ E o colapso foi decorrente disso?

_ Antes fosse... não... chegando em casa, agora que eu ando mais  de atitudes cibernéticas do que presenciais, fui arrebatada pela curiosidade de conhecer as opiniões dela, por uma dessas redes sociais da moda. E, aí... encontrei o seguinte: " Em ritimo de férias. Viajem marcada pra Paris."
Engasguei! não teve como não...

_ Veja bem, ela como uma mulher ocupada, de muito trabalho, pode ter uma espécie de "internet user style"... Ou, ela aderiu aos padrões adolescentes de escrita na rede... Seja razoável...

_  Razoável ? Ela é uma fonte profissional de admiração de ideias, como posso ser flexível com isso? Por favor, assassinar a matemática é aceitável, nascemos da era viciada na máquina de calcular, agora o português não! E olha que sou permissiva até com o novo acordo ortográfico... E nada de linguagem adolescente para uma mulher madura... comportamento talvez...

_ Então seja Pollyana e fale do debate caloroso sobre o gênero feminino... partiu das ideias líquidas de Bauman?

_ Estava confabulando com o senso comum... Assim como ando acreditando em mandingas populares, pela experiência mesmo, fiquei divagando com o meu ponto de vista pessoal sobre comportamento, sobre o mundo do estrogênio... Acho que pensei mais em Beauvoir pra dizer a verdade... mas enfim, coisas que não combinam mais com o feminino pós-moderno definitivamente: ausência de amor próprio e auto-sabotagem de identidade.

_ Vamos lá... é preciso contextualizar, porque se formos levar tudo ao pé da letra, você pode estar sendo extremamente xiita com aqueles ensinamentos (bregas, sim) mas super catolicamente românticos e comuns por aí de: "lute pela sua felicidade", "corra atrás de seus sonhos", "não deixe o verdadeiro sentimento fugir e a covardia te dominar".

_ Minha nossa, você está parecendo livro de auto-ajuda!!!!! Sò faltou a tatuagem: "Gentileza gera gentileza". ou conectar a internet via blackberry pra divulgar...  Porque se não for de "cereja preta" não é a mesma coisa...

_ Que palavras ácidas... (risada sarcástica)  cadê o altruísmo? Há mulheres que acreditam que determinadas receitas sociais são as bulas de remédio pra autoestima.. Tipo: namoro,marido, filho, magreza... Que se sentem depressivas sem as tais medicações imposicionais. Mesmo que o sorriso programado e o discurso transmitam o contrário.

_ Concordo.... e acredito que a maioria delas seja de gerações passadas... Por que não quebrar os protocolos então? Se bem que seria muito chato a falta de alteridade. Aliás, são perdoáveis aquelas que sonham no desespero do momento, essas são genuínas e autênticas, se é pra sangrar, que seja. Agora, quanto às homeopaticamente humilhantes, quero bem longe do meu raio de circulação. Pisoteiam o orgulho feminino. Gente, não é preciso queimar sutiã, basta lamber seu espelho sem ter saudosismo com os nojentos pêlos do prestobarba que antes te incomodavam acumulados na pia... Tão simples.

_ E fotos? marcas da sua história ou pendências a serem eliminadas?

_ Relativo... Aquela com o garfo que foi lambido por "ele", ou com a areia desenhada com coração, por favor! E não me venha culpar o alterego...

_ As vezes, a pessoa só quer ter boas recordações... mas ja que você tocou no alterego, fale da outra questão, da auto-sabotagem de identidade. Se formos pensar em Bauman, ele diz que o mundo do autêntico está diluido... que essa tal modernidade é de gosto líquido, que escorre fácil pelo ralo... Que tanto prolifera quanto escoa rápido. Não seria uma tendência generalizada essa tal "auto-sabotagem" na identidade nos dias de hoje?

_ Ou seria o famoso "ser pop", mesmo quando se diz "alternativo", "cult" "regionalista" ... Sim, acredito que exista isso na maioria dos casos... É bom viver num mundo em que se aprende a aumentar a sua bagagem de diversidade, especialmente a cultural, porque essa é a marca constante dos nossos dias. Agora... existem duas outras questões aí: Primeiro: não seja "a mais nova da tribo" porque você acha que mostrando isso ao mundo você é mais interessante. Aprenda a aprender a gostar. Não diga que conhece o livro se você só leu a contra-capa. Não viva no raso pra achar que está se igualando.. não é tentar correr atrás, é trilhar o seu caminho a partir das novas ramificações. A não ser que seja declarado: sou atrasado e raso. Ponto final. mas quem assume?

_ E a segunda questão? 

_ Auto-sabotagem pra aparecer pro mundo confirmando ainda mais a sua tendência de falta de amor próprio. Porque tem hora que é feio mostrar que você gosta do que o Faustão diz que é legal... mesmo que você realmente goste...

_ Bem, então pra você tudo, metaforicamente pensando, que se tornou pop de domingo a tarde da tv aberta joga no lixo?

_ Não. Ao menos seja pop antes de ser retrô...

_ Como assim?

_  Exemplificando pra você que soube bem apreciar um fenômeno pop... Se achar fã de Harry Potter só porque viu o último filme mas nem tomou conhecimento de quem é a Winkie? Ou, começar a ser fã de Teatro Mágico depois que ele já participou até da novela de Manoel Carlos? Ou, ir a um show do Los Hermanos,  e perguntar: por que tá todo mundo gritando Pierrot? Perguntar: quem é esse "Bubu" que todo mundo grita no show do Camelo?

_ Intolerância é seu nome... acho que isso pode virar outra sessão terapeutica.

_ De fato, mas só volto pra mesma terapeuta depois que ela me explicar direitinho se conseguiu compreender todas as piadas de "Meia Noite em Paris". Porque senão, mando ela embarcar pra Las Vegas (mais apropriado) e não ofender a cidade luz...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Qualquer coisa, que se sinta. Sim, com vírgula proposital.

Os símbolos estão falando mais por mim que as palavras por ora.. Também acho que é pertinente da ocasião...
Lembrei-me não sei porque, daquelas observações meio (cientificamente) tolas e completamente (maceteiras) lógicas que nos ensinam em algumas aulas: todo gráfico tem uma curva ascendente que ao atingir o ápice do ciclo começa a entrar num descenso.. Ou (des) censo? Ou quem sabe des-senso... O meu "ácido divagar" já passou desse ponto de otimização da curva, do topo.... No presente, as palavras tem me fugido... Logo eu, tão cheia de si com os argumentos... Dai se vê o quanto muita coisa é doce tolice.

O que se sente é o que é. Hoje, acho que as palavras - sempre tão irmãs -  não traduzem do que se é, do porvir... O que se é sopra da pessoa. E pronto. E, sem conflitos. E, que a paz que já vem morando dentro de mim, se recheie com a alegria de se ser... do se estar... do presente. Com esse "se" sempre reflexivo.. Porque refletir é do pensamento, não tem que haver obrigatoreidade de palavras...

Então, o meu sendo de agora...

"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice Lispector










O amor.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Viajar, alimento da alma

 Gosto de jogar meu corpo pelo mundo.... Ele e a mochila... Gosto de procurar rotas, trajetos, roteiros, caminhos... Gosto de trilhar aventuras e interagir com pessoas que provavelmente nunca mais verei... Gosto de paisagem nova, de sabor novo, de cheiro novo...gosto de novidade.
Gosto de me afastar de tudo que sempre é meu, pra ver o quanto esse mais do mesmo tem tanto valor. Gosto de perceber novos cotidianos e enxergar o quanto as coisas simples da vida são as que valem bem mais... Viajar amplia os horizontes do meu ser.

Bonde, barco, bicicleta... carro, carroça, caçamba... Avião, auto estrada, automovel, ar... Trem, trenó, trilha... O que importa é partir e chegar. Viajar alimenta minha alma.

Nessas férias foram três roteiros inesqueciveis e bem diferenciados, cada um a sua maneira...

Primeiro o Reveillon: Floripa, Guarda do Embau e litoral de Santa Catarina.
Fiz novos amigos de uma forma bem intensa. Eles vieram de diversas partes do pais e cada um de sua maneira arrancou um pedacinho do meu coração. Ri, bebi, curti, refleti, apaixonei, vivi, liberei emoçoes, emocionei, sosseguei, me envolvi e tudo ficou registrado como único. Floripa é um lugar especial onde um dia eu cogito a possibilidade de morar. O vento que sopra de lá é bem parecido com o de cá.. Fechar o ano de 2010 tão único e incrivel foi definitivamente delicioso em Santa Catarina. Foi como fechar um ciclo de aprendizado sobre mim.


Natal e Pipa... Viagem mais planejada e cheia de conforto... Estava num momento cheio de turbulências (mesmo positivas) emocionais que foram acalmando pouco a pouco no sossego nordestino... Natal me remete àquela fase da vida que você quer parar e se encontrar sempre num mesmo lugar.. Foi um encontro de gerações num lugar de calmaria...

E, a Ilha Grande, Aventureiros... passar três dias tendo como atraçao principal o nascer da lua foi inesquecivel e marcante... Fogueira, som, trilha, praia de agua quentinha, novos amigos mais perto, marchinha, passeios de barco, miojo, barraca, mosquito, comida caseira, papos na beira das estrelas e paz...

Dificil descrever brevemente de tudo que foram essas férias. Só sei que elas me deram coragem e ânimo pra seguir o ritmo de estudos e trabalho de 2011. E que venham tudo de novo desse novo ano também..

sábado, 18 de dezembro de 2010

Homenagem: Thais Vilardo

Eu disse que ia divulgar e taí Thais... Esse poema foi de uma aluna muito especial de uma turma que vai sempre morar no meu coração.

MAIS AÇÂO NA GLOBALIZAÇÂO

O mundo atual
È muito desigual
Não há a mínima democracia
Em meio a tanta hipocrisia.

A fome e a miséria
Estão em todo lugar
Só cabe a você
Querer enxergar.

Nazismo, Fascismo
Não é coisa do passado
Se você não acha isso,
É melhor ficar ligado.

A força do Estado-nação
Enfraquece cada dia mais.
Isso é uma característica
Dos neoliberais.

A mídia influencia
A sociedade atual
Não se submeta, cidadão
À lógica do capital.

A desigualdade esta aí,
Só basta lutar.
Para que a democracia
Consiga ganhar

Preste atenção espectador,
Ao seu redor.
Pois você pode fazer
Um mundo melhor

Uma sociedade igualitária
Podemos formar
Só cabe a nós
Querermos mudar!

Thais Vilardo Campos

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Do tempo das geladeiras brancas e telefones pretos ao escoar pelos dedos...



Eddie Vedder em Hard Sun. Por que escuto essa música quase todos os dias?????? Porque ela me faz lembrar o quanto as coisas que tem muito sentido se vão, escorrem no grande ralo do tempo... E, sincronicamente, vamos sendo engolidos pelo tal "caminhar da vida" e nos importando menos com o que é para se importar.
Importar... Ambiguamente pode ser comprar algo de fora assim como valorizar as relações que se têm.
Essa música é o tema principal da trilha sonora do filme: Into the wild, em português "Na natureza selvagem". Assisti esse filme ano passado e a cada vez que penso nele e na trajetória do garoto do filme, mergulho em mim. Esse ano dei um salto para dentro. Ganhei novos horizontes nas retinas do mesmo cotidiano. Acrescentei colorido ao painel opaco. Muitas coisas antes indissolúveis de mim mesma se desfizeram. E, assim como as geladeiras da vovó e os telefones de girar e discar pretos hoje rebuscam nossa capacidade de memória.
Melhor do que pretender ser forte é se sentir forte. E, se sentir forte é se convencer ainda mais do quanto nada é irreversível psicologicamente. 2010 foi um ano incrível. Rico, produtivo, hedonista, narcísico como os mitos gregos...Me encontrei um pouco mais em mim mesma. E é tão bom perceber que mudar é novo, transformador e belo. Novamente o belo dos gregos. Mudar é movimento, é ação, é caminhar pelas rotas da vida... Não houve até então ano que eu tenha me dedicado mais a me sentir comigo mesma que esse. E, sim, ele foi maravilhoso por conta disso.
Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007) é inspirado no livro homônimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless. Aos 22 anos, o jovem largou sua estável vida de bom aluno e classe média-alta para partir em busca de liberdade e aventura. Deixou para trás também a sua própria identidade, rebatizando-se Alexander Supertramp. Com um destino em sua mente, o longínquo e desabitado Alasca, ele foi cruzando o continente e as vidas de muitas pessoas que lhe davam carona, casa ou um emprego temporário. E dizem por aí que Sean Penn encontrou o livro na lixeira hein... Uma dica imperdível pra quem gosta de curtir crises existenciais e saltos para o infinito de si.
Não, esse post não era pra falar de sensações anuais de 2010. Queria falar de memórias alegres, daí o título.. mas o clima ja me contagiou e foi inevitável.. E, sim, pra justificar, uma memória bastante longínqua em tempo e de pessoas vem transbordando de meus pensamentos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

4- 8 -15- 16- 23- 42

O que foi Lost??????? Acho que ainda não sou capaz de responder com muita tranquilidade e discernimento sobre seu impacto nas minhas reflexões de vida. De uma coisa eu sei, nao foi mais uma minisserie besteirol americana - e em relação a muitas, até mesmo divertida - que se ve de montão por ai... Lost é um paradigma de entretenimento pra se refletir sobre nossa existência e o papel que temos nesse nosso mundo. Minha lógica pessoal para quem dificilmente se sensibiliza com respostas prontamente fabricadas... mas aí vai mesmo depender do que se acredita...

“- Isso é ridículo!
- Pare de pensar no que é ridículo, e pense no que você acredita. É por isso que se chama um salto de fé.”
“- Todos nos convencemos mais cedo ou mais tarde, Jack.”
“- Ele está falando a verdade?
- Provavelmente não.”

Conheci Lost esse ano, um pouco tardio para um fenomeno que ja fez história na TV americana. Não me despertava atenção mesmo e eu não conseguia decifrar que espécie de hipnose era essa que essa série causava nas pessoas. Num universo de monstro da fumacinha preta, o misterioso Jacob, uma sequencia numérica que fazia as pessoas ganharem na loto ou passar mais de ano apertando um botão, ursos polares em ilhas tropicais, ilhas que mudam de posição, iniciativa Dharma e Namastê pra todo lado, um Richard que não envelhece, uma francesa com nome de filosofo que arma arapucas pras pessoas e passa anos sem comunicação, testes subliminares em cobaias humanas, bombas de hidrogenios que podem ou nao explodir, idas e vindas no tempo, submarinos escondidos e quedas de avião, gravidas que perdem seus filhos e pessoas de condições irreversiveis que voltam a andar, o que na verdade era aquele lugar, aquela ilha? Acho que a resposta é o que você sentir... As filmagens quase todas transcorreram em Oahu no Hawai. Lost foi criada por Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof. A música foi produzida por Michael Giacchino. Seu primeiro capítulo foi ao ar em 22 de setembro de 2004. Ainda bem que  descobri em 2010 porque seria por demais angustiante ter que esperar uma semana INTEIRA por um novo capítulo..

Lock e Jack. Sem dúvidas os meus personagens favoritos. Não foi pela aparência, pelo estilo de pensamento de cada um ou por admirar o trabalho excepcional dos atores. Não foi isso que os tornou tão filosoficamente especiais pra mim. O que me cativou foi o embate que eles representaram: fé X ciência. Razão X sensibilidade. Eles me fizeram descosturar em pensamentos e na emoção o sentido do metafisico, do senso comum, da percepção, do materialismo, da noção de corpo, espirito, mente, vida... Claro que todos os outros personagens e o contexto de construção narrativo em torno daquele espaço que é a ilha, contribuiram intensamente. - e aqui outro destaque para Benjamin Linus. No entanto, quando se tratava de diálogos tão densamente internalizados como eram os de Jack e Locke, ficava dificil distinguir em minha espiral de análise do mundo, a ficção do real.
Ficaria escrevendo sobre Lost por horas ainda..... A cada mensagem que ficou mais inúmeras outra questões vem a tona que me dão vontade de escrever e compartilhar....
Não fiquei buscando respostas, sentido pro que via, nem tentando decifrar os mistérios da ilha....... Fui me envolvendo com cada sentimento que foi sendo despertado durante os capitulos e olha que foram sensações infinitas...
Havia horas que simplesmente viajava pra longitude em vastidão que aquela ilha me dizia estar e mergulhava no espaço sem fim daquelas paisagens... Ou me sentia embriagada de azul daquele mar... Alias, o que seria da grandiosidade e complexidade das personagens da série se não fosse esse pano de fundo?
Cada um sabe bem no que crer e em como fazer.. E acredito que é justamente essa alteridade que faz as pessoas se apaixonarem ou simplesmente odiarem Lost. So sei que mudei. E meu mundo de sensações em proporçõe elevadissimas..que aqui seguem, pós-Lost: 
- Ninguem nesse universo infinito de possibilidades se conhece por acaso. O acaso é meramente uma nomenclatura para uma oportunidade de vivenciar algo em relação com um outro alguém diferente de você e  que é importante, que é essencial para o que significa você. Ou  para o que você ainda vai significar.
- Toda a energia que emana de seu ser é reflexo de onde você está, de como você se conecta com o mundo, e o que absorve em seguida dele e de quem nele vive.
- Tudo nessa vida tem um propósito. Execute bem o seu. E acredite num bem maior.
Lost foi a maneira divertida de me encontrar com essas idéias. A metáfora mais agradável de se dedicar a refletir a complexidade do que é o mundo em todos os seus planos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O sentimento de ser professora

Sou professora. Mas sequer escolhi ser. Escolhi a carreira mas não a forma como atuar profissionalmente. Confuso? Também não imaginaria que minhas opções gerariam essas possiveis interpretações mas é exatamente disso que se trata.
Escolhi saber das coisas da vida social e do homem, fugir da alienação que é afrouxada principalmente pela busca de conhecimento através da educação. Acreditava na necessidade pessoal de investigar o lado crítico do mundo pra entender melhor dele. No entanto, nao creditava ou ao menos me preocupava com aquilo que completa essa relação com vigor: aprender das coisas para re-transmitir a outros. Com isso, nunca havia me preocupado muito. E, também não era capaz de ver o quanto a relação do conhecimento só existe nessa via recíproca, ubíqua, intrinsecamente costurada.
Comecei a lecionar quando ainda não tinha refletido sobre a prática do que era ser professora. Iniciei antes de me formar, numa experiência valiosa, mas pouco referenciada para a fase que vivia. Me joguei na prática sem questionar os laços teóricos, sem aprender antes a desejar ser o que eu vivamente me tornava.
Meu primeiro ano foi colorido com a novidade de trabalhar, de me testar, de ficar eufórica com o que eu já conseguia ser. Encontrei muito carinho e afeto e voei pra construir mais um de meus muitos eus. Um EU novo mas que ainda nao mensurava o quanto ele se tornaria tanto de mim e mais se enraizaria pelo meu verbo ser. Não calculei os percalços e vieram os tombos....
Comecei a terapia. Quanto mais me jogava no cotidiano daquilo que eu mais contribuia pra me tornar, que são as atividades que mais consomem do nosso tempo social, mais me sentia afundando. Angústias, contagens regressivas, cinzas, aversão, incertezas, ansiedade, queixas, crises existenciais. E mais terapia.
Lendo isso tudo acima, tenho vontade de dar grandes risadas, porque hoje me emocionei com uma singela homenagem de uma escola que dedicou uns instantes do seu espaço-tempo a me lembrar o quanto é importante ser professor. E, hoje, meramente recuperada das crises, mesmo que com tantas ambições futuras gigantes e diferentes do que hoje sou, me orgulho do meu EU professora. Ser professor pra mim ultrapassou barreiras tão profundas que tinha construido sobre mim mesma, que ainda  me surpreendo com as mudanças tão minhas que encontro. Não é uma profissão do prestígio remunerado, nem da vaidade reconhecida através do respeito alheio, nem do glamour das artes, nem do sossego do contato com a natureza. No entanto sempre foi e é essencial às pessoas. Ela transmite energia do bem e isso é sempre bom perpetuar.
E, hoje, já enxergo o que me mantém presa ao que sou: contribuir mesmo que incalculavelmente para modificar as perspectivas dos mais diversos seres humanos para se tornarem alguém melhor. Esse melhor pode ser através de uma gratificante profissão; da descoberta de um dom a se dedicar e brilhar.
Um melhor que faz de uma menina ser uma melhor mãe. De um irmão alguém mais generoso entre os familiares. De um ser humano orgulhoso aprender a pedir desculpas. De um namorado arrependido de errar enviar uma rosa a sua amada. Que alguém fique melhor ao olhar para o filho depois de uma conversa e perceber onde pode melhorar. De amar e respeitar pessoas importantes pelo que elas são e nao pelo que venham representar para o mundo. E, com isso, me tornar sempre um ser humano melhor também.
Hoje estou feliz porque vejo a contribuição que posso trazer de bem ao mundo ao ser professora.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Simultaneidades escalares

Enquanto isso...

Descascam uma banana em Santarém... Arrotam bem alto na Zâmbia. Comem jabuticaba em Ponta Grossa. Tiram meleca no Iêmen. Coçam o pé em Laos. Olham um guia turístico em Sumatra. Compram um pônei em Taiwan. Depilam a perna nas Ilhas Salomão. Estudam calculo em Xique-Xique. Mergulham na Samoa Ocidental. Lavam uma bacia em Molokai. Acertam um relógio no México. Tomam vodka em São Domingos. Rezam um terço na Jamaica. Arracam um pedaço de folha de espiral no Suriname. Dormem de boca aberta em Baltimore. Pulam para não pisar numa poça em Macau. Escolhem a aliança em Diamantina. Saem do avião em Dallas. Preenchem um bilhete de loteria em Turim. Desenham um croqui em Nova Dheli. Podam o jardim em Marselha. Pedem outra rodada em Madagascar. Choram de amor na Armênia. Dirigem um triciclo em Dijibuti. Vibram com um show em algum pub em São Paulo. Tomam cerveja quente em Bahrein. Desafrouxam a gravata em Budapeste. Aprendem a jogar poquer em Nagoya. Acendem o abajour em Marabá. Compram virtualmente em Luxemburgo. Pintam a unha no Paquistão. Gritam gol em Lyon. Pagam o taxi em Quebec. Comem churros em Joinville. Planejam um pacote de viagem em Barbados. Escutam o estalar do milho de pipoca em Cantão. Quebram um prato no Zaire. Tomam banho de chuva em Borneo. Raspam o pote de massa de bolo na Coreia do Sul. Fumam um cigarro no Liechtenstein. Pedem a Deus na Tanzânia. Entregam uma pizza em Bali.

domingo, 15 de agosto de 2010

A expedição Langsdorff

Neste fim de semana fui conferir a Mostra Expedição Langsdorff no Centro Cultural Banco do Brasil. E, a cada dia mais, descubro o quanto é legal fazer Geografia fisica na prática. Sim, tenho consciência da polêmica que essa afirmação por múltiplas questões pode causar. No entanto, é isso mesmo que sinto.
A expedição Langsdorff caracterizou um periodo marcante para o país. Independente de quais interesses ela vinha atender, retratar paisagisticamente as imagens daquele Brasil de outrora foi uma ideia esteticamente e cientificamente fantastica. E também perigosa e desbravadora...
uma expedição com artistas e cientistas liderados por Georg Heinrich von Langsdorff se aventurou por 17 mil km do território nacional. Quando o país ainda era praticamente uma gigantesca floresta. Entre aquarelas, mapas e quadros assinados principalmente por Johann Moritz Rugendas, Aimé-Adrien Taunay, Hercule Florence e pelo cartógrafo Nester Rubtsov, a minha grande surpresa é saber que muitas destas obras são inéditas para o país. Imperialismo intelectual? Descaso inconsciente à época de conhecimento do território? Falta de estima criteriosa a respeito da necessidade de se ver também nesse Brasil? Não sei... mas fiquei meio revoltada, no sentido ufanista mesmo e encucada ao me informar sobre esse fato.
Um texto de curiosidades sobre a expedição aqui contada me informou que o alemão Georg Heinrich von Langsdorff (1774- 1852) formou-se em Medicina e frequentava sociedades científicas europeias. Em 1802, integrou uma expedição de volta ao mundo, sob comando de Adam Johann von Krusenstern. Naturalizado russo, Langsdorff foi nomeado pelo czar Alexandre I, em 1813, cônsul-geral no Rio de Janeiro. Lá, ele começou a idealizar uma viagem científica pelo interior do Brasil.
O trajeto e algumas imagens:





Eu desejaria que toda essa expedição tivesse sido um bom trabalho de campo de cientistas, artistas, jornalistas, enfim, de brasileiros interessados no assunto e que esse fosse um grande passo para o entendimento da brasilidade de dentro pra dentro. E não do exterior com o olhar estrangeirado. Mas isso não apaga o valor construtivo que a expedição deixa marcada em nós. E, ainda mais, o quanto a grandiosidade desta natureza e da sua energia foi revelada. O próprio Langsdorff, por aqui chegou e ficou. Sem tentativa de comemoração diante da constatação vigente que era aventurar a saúde ao embarcar nesta experiência, com as mortes que  vieram. Nos últimos anos da expedição, Langsdorff foi acometido por uma doença desconhecida, que causava surtos passageiros, durante os quais ele perdia a noção de tempo e espaço.





Entrevista com Boris Komissarov, organizador da exposição

Há mais de 30 anos, o russo Boris Komissarov, de 70 anos, professor da Universidade de São Petersburgo, ocupa-se dos estudos do acervo da Expedição Langsdorff. Abaixo, ele fala sobre a figura a quem dedicou tantos anos de sua vida.

O início - "Langsdorff não planejava organizar uma expedição tão grande porque a situação no Brasil era muito difícil, por conta do movimento pela Independência. No início, ele se concentrou em estudos próximos à sua Fazenda Mandioca, no Rio"

A ajuda russa -"A Rússia investiu uma quantia alta na Expedição Langsdorff - 330 mil rublos. Na época, o orçamento de gastos do país inteiro, para um ano todo, era de 363 milhões de rublos."

A relação com pintores - "Na época, não existia fotografia e o papel do pintor era importante para o registro de tudo. Mas eles não eram pessoas ‘da ciência’, o que dificultava essa relação. Acho que Florence inventou a fotografia pensando na dificuldade que Langsdorff tinha com pintores típicos. (Risos.)"

È, pra mim, super recomendado. Me faz entender mais de ser geógrafa, da grandiosidade do Brasil enquanto espaço fisico e material vivo,  e lamentar um tanto não poder ter privilegiado-me de avistar essas belas paisagens por si mesmas. Deixar me abraçar por esse encantamento de verde, por essas visões privilegiadas de céu, pelo barulho mais verdadeiro de vida no mundo Brasil.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Porto Alegre

Existem muitas coisas legais que curto em Porto Alegre. Entre elas: povo educado no trânsito (sei que depende do referencial mas levando em consideraçao o meu...), sem engarrafamentos, comida barata, povo elegante em suas vestimentas de inverno, polenta frita, pôr do sol no Guaíba, o sotaque, taxistas bacanas, estar a duas horas da Serra Gaucha...
Uma semana em Porto Alegre, reencontro com amigos ocasionais queridos, novas amizades que vieram pra ficar e cultivar,um passo importante na meta acadêmica... Terceira vez em Porto Alegre com excelentes resultados. Assim, aqui deixo uma homenagem, apesar de ter convivido com os 3 graus no termometro...

Essa encontrei num coletivo por lá:


MODERNIDADES

web
msn
orkut
scrap
blogs
emails...
mesmo assim
solidão em mim

Eliane Alberche  

sábado, 24 de julho de 2010

Bruschetteria e Vintage Cupcakes

Tempinho frio pra mim combina com pensamento guloso. A novidade e o boom do verão foi o sorvete 0% de gordura de iogurte. 



E o inverno? Já elegi minhas novas tentações: Bruschettas e Cupcakes.


Esta saborosa iguaria italiana, saboreada em todo território italiano, nas mais diversas formas, tem sua origem na antigüidade entre os trabalhadores rurais, quando o pão era seu principal alimento e se constitui numa forma gostosa de se aproveitar o "pão velho", que sobra de um dia para outro.
Um artigo de um super gourmet me contou que o termo Bruschetta (pronuncia-se brusqueta) é originário das regiões do Lazio e de Abruzzo, derivada da palavra "bruscato" que significa tostado ou torrado, quer seja no forno ou na grelha. Há também outros nomes para bruschetta, como "Fetunta", na região da Toscana, aí derivado das palavras "fetta unta", isto é, fatia untada, no caso, com azeite de oliva.
A clássica bruschetta é feita com uma fatia de pão italiano rústico, de farinha escura e grossa, de casca dura, tostada na grelha, esfregada com alho, untada com abundante azeite e polvilhada com sal e eventualmente com pimenta-do-reino.
Descobri a Bruschetteria numa indicação de revista. O wikipedia me contou que Bruschetta é um aperitivo da Itália central que existe desde o século XV. Como eu só descobri agora??????  E, aí, a novidade gastronômica  é a lanchonete especializada em Bruschettas. Super recomendada! Já aprovei. O grande toque brasileiro é a diversidade dos sabores. Adorei a de gorgonzola com mel.
 

E de sobremesa? Cupcakes!!!!!!!!!
Tinha aversão aos bolinhos por achar demasiadamente americanizado... ( a minha velha arrogância né...rsrs) mas enfim, me rendi!!!!!! Aiiiiiiiiii é bom demais! Quiosques estão se espalhando pelo Rio e vem sendo dificil estar perto e resistir. Comi um maravilhoso: Macadâmia nut: bolo de baunilha com pedaços de chocolate branco e macadâmia coberto por uma ganache de chocolate branco. Bem, momento gulodice.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"... um rio carregado de saudade vem correr na minha veia..."

Começos, meios e fins. Esse é o ciclo renovador da história das pessoas, do mundo, das coisas. Hoje nem vim tanto pra filosofar, vim mais pra falar que o movimento é eterno. Elementos invadem nossas vidas com a devida importância e de repente se esvaem. E, logo, outros entram pra recontinuar. E, já dizia, Moska, tudo novo de novo.

Um fim que lamentei: Cordel do Fogo Encantado.


O site oficial publicou três informes oficiais: de Lirinha (vocalista), de Antônio Gutierrez (produtor) e  Clayton Barros (violonista) com explicações sobre o fim da banda no inicio de julho.  O que era uma peça teatral na cidade de Arcoverde, interior de Pernambuco, ganhou o mundo-Brasil através de festivais e se transformou, a meu ver, no espetaculo musical de maior originalidade até então do nosso país. Com a mistura de poesia, espiritualidade, teatro, circo, cordel, repente, batuques africanos, nordestinidade, ali se apresentava uma brasilidade regional que poucos do mundo dito central do Sudeste brasileiro estavam acostumados a assistir, ter contato. Um das vertentes que mais me encantavam em relação a banda, era a capacidade energética que eles tinham de comover o seu público que entrava num verdadeiro transe durante o show. A convocação da platéia a sentir o sobrenatural pra evocar a esperança pra cuidar e repensar os problemas tão fisicos, tão da terra que calejam o povo sertanejo. Segundo palavras anteriores, do próprio Lirinha, O "encantado" ressaltaria a visão apocalíptica e profética dos mistérios entre o céu e a terra.

O grande hino: Chover. Segundo a lenda/mito que envolvia essa música da banda, todas as vezes que a música era tocada e Lirinha sentia o sobrenatural, realmente chovia. (durante, ou depois...) Aos descrentes e supersticiosos: todos os shows que fui realmente choveu...



Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido)
Cordel Do Fogo Encantado
Composição: Lirinha; Clayton Barros


"O sabiá no sertão
Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem a obrigação
De só cantar quando chove*

Chover chover
Valei-me Ciço o que posso fazer
Chover chover
Um terço pesado pra chuva descer
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê


Chover chover
Cego Aderaldo peleja pra ver
Chover chover
Já que meu olho cansou de chover
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê


Meu povo não vá simbora
Pela Itapemirim
Pois mesmo perto do fim
Nosso sertão tem melhora
O céu tá calado agora
Mais vai dar cada trovão
De escapulir torrão
De paredão de tapera*
Bombo trovejou a chuva choveu
Choveu choveu
Lula Calixto virando Mateus
Choveu choveu
O bucho cheio de tudo que deu
Choveu choveu
suor e canseira depois que comeu
Choveu choveu
Zabumba zunindo no colo de Deus
Choveu choveu
Inácio e Romano meu verso e o teu
Choveu choveu
Água dos olhos que a seca bebeu
Quando chove no sertão
O sol deita e a água rola
O sapo vomita espuma
Onde um boi pisa se atola
E a fartura esconde o saco
Que a fome pedia esmola**

Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que amarrotou
Foi tanta água que meu boi nadou***

E, "Na veia", um outro hino da banda, me remete a saudade que vou sentir.

Na veia: "... um rio carregado de saudade vem correr na minha veia..." isso vai ficar....


quarta-feira, 7 de julho de 2010

A natureza do olhar


Fernando Pessoa




Tenho Tanto Sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.


Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Nunca fui muito despertada pela poesia. Muito mais pela preguiça de me debruçar a apreciá-la e menos por não ter paciência a valoriza-la. Poetas me transmitem a sensação de que conseguem organizar muito bem seus múltiplos ou únicos pensamentos, em linhas tão metricamentes calculadas e ainda carregadas de subjetividades. E meu cérebro é sempre um turbilhão de desconcentrados pensamentos. Ou seja, incompatibilidade. Assim, eu acreditava.
Alguns nomes sempre admirei: Neruda, Vinicius de Moraes, Camões, Joao Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e Fernando Pessoa. No entanto, de poesia sempre tive um conhecimento raso.
Neste sábado assisti uma peça que mudou meu olhar e me fez apaixonar por poesia.Como se as cortinas de uma paisagem bucólica e límpida tivessem corrido bem no meio do meu céu.  Não sei ainda por quanto tempo, e nem em que grau de envolvimento vai se sustentar esse novo espetáculo de luz que adentrou meu mundo, mas a emoção da paixão foi arrebatadora.
"A natureza do olhar" é uma peça com texto de Fernando Pessoa com atuação de Elisa Lucinda e Geovana Pires. Elisa e Geovana encarnam os personagens Alberto Caeiro e Álvaro de Campos --heterônimos de Fernando Pessoa. Baseado no texto de Álvaro de Campos, "Notas para a Recordação de meu Mestre Caeiro", elas me invadiram e dominaram todos os meus sentidos e idéias com a mesmissima intensidade. Seria possivel perder o fôlego por enxergar uma tempestade de estrelas caindo na sua direção? Vindas do infinito, para um universo que também mora dentro de mim. Foi assim, foi fantástico.
Primeiro elas nos receberam antes de começar a peça na entrada do teatro. Aquele clima de glamour que geralmente envolvem as atmosferas dos artistas, foi quebrado. Entendi e gostei, disso: "olhem, estamos aqui porque amamos a arte. E gostariamos de partilhar com vocês exatamente isso, do fundo da alma". Encerrou-se a distância, humanizou-se quem costuma ser tratado com diferença. Que podem se traduzir em (in)diferenças...
Depois elas explicam o que são heterônimos. A mim, explicação bastante elucidativa e que me fez ver a peça por outro ângulo do que eu teria se não fosse essa preocupação das atrizes. Mais um ponto!!!!!!
Os heterônimos, de forma breve, sao personagens com biografia e tudo, almas próprias criados por um determinado poeta para assinar a sua obra sendo ele, o poeta, mas também sendo um outro alguém.( que também é ele mesmo).  Marca registrada de Fernando Pessoa.
E depois, o texto deste incrivel poeta que é Fernando Pessoa. Um homem (me fez lembrar a historia de Kant) que nasceu na Africa do Sul e partiu para Lisboa de onde jamais saiu. A mim, um pequeno gênio notável pra traduzir tão bem e sutilmente a linha tênue entre pensamentos e sentimentos.
Com uma atuação estupenda de ambas as atrizes, com uma interação incrível entre elas em cena, a peça fala por si só. Tocou de verdade meu coração. Meu lado Caeiro apareceu ao se identificar em Álvaro de Campos, bem mais presente sempre. Todos somos um.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Comer, Rezar, Amar: um novo mundo depois desse encontro (Post para Dé)


Este é um assunto que já tinha certeza que estaria aqui mesmo antes de ler este livro. Indicação? Expectativa? Promessa? Não, uma simples intuição feminina. Como todo o teor que essa definição de gênero pode carregar...

Me entreguei a essas páginas com tamanho envolvimento como nunca tinha me encontrado com nenhum outro livro. Ou nada que minha memória alcance por agora. Sim, foi um grande encontro.
Sempre fui uma devoradora voraz de livros que se aprofundassem com o meu momento de leitura, ou que eu identificasse traços de meu mundo ou daquilo que gostei de ter aprendido. Os livros sempre foram uma fonte de assimilação de sopros da vida que sempre recorri. Gosto de ler coisas que me esclarecem mais do que sou, ou melhor, estou. Das características mais superficiais às mais enraizadas. Com "Comer, rezar, amar" tudo foi diferente. Pela primeira vez quis digerir todas as linhas bem devagar. E, sim, "digerir" aqui muito menos metafórico do que possa ser.
Preciso fazer um adendo sobre o significado disso também. Sempre estive (e a partir de agora não mais "FUI" como costumava me entitular) com muitos traços de intolerância e preconceito com best-sellers do momento. Um misto de arrogância acadêmica com falta de paciência com os classificados como auto-ajuda. Achava uma literatura rasa e justificadora de "incentivo de leitura de facil acesso a quem não gosta de ler". Ou, simplesmente criticava quem enxerga livros como bulas de remédios para soluções que devem ser encontradas em você mesmo. Mas esse é o meu ponto de vista, a receita que não serve pra mim, mas as pessoas são diferentes. E viva a alteridade.
"Comer, Rezar, Amar" é o relato da autora Elizabeth Gilbert sobre o ano que passou viajando ao redor do mundo em busca de sua recuperação pessoal. O livro ganhará uma versão para o cinema, com Julia Roberts no papel principal. Resenha clichê num primeiro olhar. E, de fato é, e não encontrei desde então nada mais além e adequado que este livro para eu reavaliar os meus horizontes e julgamentos. Porque não houve nada mais coerente do que eu precisava ler e sentir por esses tempos.
Você não vai encontrar nessas páginas um Dostoiévisk, um Nietzsche, um Saramago, um Guimarães Rosa... Nem Revista Boa Forma ou incentivadores declarados de como "Quem mexeu no meu queijo"... Na verdade, não sei o que você vai encontrar.. Eu encontrei uma mulher que fala de uma experiência de mulher, para outras mulheres. Para mim, subjetivamente a narrativa de maior encaixe e que me fez refletir demasiadamente e como ninguém sobre o que significa pertencer a esse gênero nesse mundo contemporâneo.
A mensagem que ficou pra mim: descubra em você mesmo o que é ser alguém com experiências humanas e espirituais para saber melhor de si e do universo que você está vivendo. As respostas estão sempre aqui dentro. Na alma.


PS: Para Dé, o porque ela sabe. Especialmente para ela mergulhar ainda mais nesse seu universo particular. Espero que saiba ainda mais depois da leitura. Positividade amiga! Você me fez ter coragem de escrever sobre o livro o mais rapido possivel!

terça-feira, 1 de junho de 2010

No apagar das velas: meu mundo num outro ângulo

Agora, no apagar das velas vejo meu mundo de um outro ângulo.
Ou, um outro ângulo que nasceu de um outro olhar me fez ver um outro do meu mesmo mundo.
A paisagem que miro hoje na minha auto-janela é serena. As cores - do espectro ao cinza- não podiam estar mais belas. Um belo que remonta aos gregos, em que o sintoma de felicidade está mais cunhado no equilibrio da virtude (ou melhor, na busca) do que em padrões fisionômicos.
Hoje estive observando um vasinho pequenino de cactos que ganhei no casamento dos meus queridos que fui madrinha. Ele viajou pra chegar até aqui, e chegou murchinho, murchinho. Foi deixado num canto da cozinha, sozinho, se conhecendo, conhecendo também o seu novo espaço, o seu novo lugar. E, hoje, lancei outro olhar breve a ele e que grata surpresa... Ele resistiu, foi esquecido mas absorveu todas as novas energias possiveis, se conheceu mais com seu novo mundo e me sorriu. Ele está florido e tá crescendo consideravelmente. Sorri de volta.
Muitas vezes associei aniversário a inferno astral. Todos os ritos me cansavam. Hoje, vejo quantas tolices acumulei em versões passadas. E quanto aprendizado também!
Hoje é dia de agradecer. Não só por hoje mas por tudo que vem se configurando nessas mais recentes páginas da minha caminhada.
Agradeço hoje, e sempre a amizade. A cada dia ela se torna ainda mais significativa. Meus amigos celebro como o ar que respiro. E, independente da forma ou fôrma, eles plantam lindas sementes em meu jardim e são como bolhas de sabão que borbulham de maneira simples, sem a necessidade de grandes ingredientes mas com infinitos formatos.
Agradeço toda a dor que me arrebatou. E como agradeço! Ela me fez ver o quanto o seu relacionamento com o universo é todo o diferencial. O quanto é importante olhar sempre mais para si.
Agradeço estar mais sintonizada com sentimentos como sensibilidade, dedicação ao que já tenho, amor-próprio, positividade e serenidade. Por conta disso, meu horizonte hoje vê Monet onde antes só conseguia enxergar Sebastião Salgado.
Agradeço estar me afastando gradativamente da ansiedade, do pessimismo, da pressa, da intolerância... Não serei arrogante de afirmar que já me curei. Mas estou menos sisuda quanto a isso.
Agradeço ter dias mais leves, de ter deixado pra trás meu cronometro de contagem regressiva.
Agradeço o sentimento de família. Agradeço a harmonia do lar.
Agradeço ter dado o pontapé para a minha busca espiritual. Ainda não sei onde ela vai dar, mas ela já acordou, foi despertada.
Agradeço por Elizabeth Gilbert ter escrito Comer, Rezar, Amar. Ainda não sei a magnitude de suas páginas em minha vida mas sinto o quanto elas já fazem toda a diferença.
Agradeço tudo de novo que sempre surge na minha vida cultural e fica. Porque traduzem sempre muito do momento que estou.
Agradeço ter consciência que só serei capaz de viver plena com o exterior a partir do equilibrio no meu interior.
Agradeço a todas as pessoas que me doam alguma orientação, mesmo quando não se dão  conta disso, para qualquer aprendizado que adquiro, ou qualquer incentivo à busca de um deles. Com muito amor.
Agradeço o presente, a saúde, o que gosto de ser e sei que sou, onde gosto de estar e sei que posso sempre ir, os papéis que ocupo no cotidiano e que contribuem para construir espacialidades com energia positiva.
Hoje, em especial agradeço:
Video Beatlemaniaco como presente de aniversário.
Abraços inesperados de visitas fora do turno.
A lágrima derramada concomitante com um sorriso por um parabéns coletivo via telefone.
Todos os caracteres digitados e carinhosos.
Um ursinho novo para meu quarto, uma caixa de ferrero rocher tão sincera.
Uma ligação muito esperada ao som de Teatro Mágico que me deixou sem palavras.
Uma ligação telefônica simples mas que representa uma ligação forte desde os 6 anos de idade.
Saber que uma amiga a quilômetros de distância dedicou os primeiros momentos de seu dia a me ligar.
Agradeço todo o amor que recebi e que me conecta com a energia que quero conservar. 
Agradeço poder estar ouvindo/sendo mais de Deus. Agradeço essa paz interior que carrego comigo. Agora falo por hoje, mas espero que alcance o máximo que eu possa permanecer em jubilo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

A espinha que nunca seca

Olho para o espelho. Lá está, reluzente - mais para mim que para o mundo, confesso - a espinha que nunca seca. Ou não vem secando.
Ultimamente, uma nova urge a cada breve período. E, por que os 20, 21, 22, 23... já foram e ela não seca?
Falta de anticoncepcional? Talvez. Puberdade? não mais... Agora... e na alma? Por onde andarás em idade? Dermatologista, já fui... Retardo etapas, vivo mais e mais certos sonhos... ou quem sabe mascaro o fato de que não quero certos prazos e convenções. Protocolar fases da vida com o relógio biológico não é inerente ao que sinto. Sinto-me engatinhando e de bengala ubiquamente... Creio e desacredito com a maior das verdades. 
Venho sorrindo mais. Amplio a socialização mas restrinjo ainda mais a escolha da profundidade. Gostaria de não ficar preenchendo relatórios pré-sociais, mas os faço. 
A busca incessante pela intelectualidade pode atrasar a maturidade emocional? Viajo por falta de treino e de concentração ou por escolher viver em ritmo de pelicula? Pensar demais, em meu caso, acaba como problema. No entanto, disso, não me desprendo.  
Qual seria o verbo definidor deste agora? Experimentar, consolidar, auto-exigência... já se foram. Acho que o verbo hoje é conhecer (a si e ao mundo). E quanto mais se sabe, ou se busca, mais se cala.