Powered By Blogger

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

4- 8 -15- 16- 23- 42

O que foi Lost??????? Acho que ainda não sou capaz de responder com muita tranquilidade e discernimento sobre seu impacto nas minhas reflexões de vida. De uma coisa eu sei, nao foi mais uma minisserie besteirol americana - e em relação a muitas, até mesmo divertida - que se ve de montão por ai... Lost é um paradigma de entretenimento pra se refletir sobre nossa existência e o papel que temos nesse nosso mundo. Minha lógica pessoal para quem dificilmente se sensibiliza com respostas prontamente fabricadas... mas aí vai mesmo depender do que se acredita...

“- Isso é ridículo!
- Pare de pensar no que é ridículo, e pense no que você acredita. É por isso que se chama um salto de fé.”
“- Todos nos convencemos mais cedo ou mais tarde, Jack.”
“- Ele está falando a verdade?
- Provavelmente não.”

Conheci Lost esse ano, um pouco tardio para um fenomeno que ja fez história na TV americana. Não me despertava atenção mesmo e eu não conseguia decifrar que espécie de hipnose era essa que essa série causava nas pessoas. Num universo de monstro da fumacinha preta, o misterioso Jacob, uma sequencia numérica que fazia as pessoas ganharem na loto ou passar mais de ano apertando um botão, ursos polares em ilhas tropicais, ilhas que mudam de posição, iniciativa Dharma e Namastê pra todo lado, um Richard que não envelhece, uma francesa com nome de filosofo que arma arapucas pras pessoas e passa anos sem comunicação, testes subliminares em cobaias humanas, bombas de hidrogenios que podem ou nao explodir, idas e vindas no tempo, submarinos escondidos e quedas de avião, gravidas que perdem seus filhos e pessoas de condições irreversiveis que voltam a andar, o que na verdade era aquele lugar, aquela ilha? Acho que a resposta é o que você sentir... As filmagens quase todas transcorreram em Oahu no Hawai. Lost foi criada por Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof. A música foi produzida por Michael Giacchino. Seu primeiro capítulo foi ao ar em 22 de setembro de 2004. Ainda bem que  descobri em 2010 porque seria por demais angustiante ter que esperar uma semana INTEIRA por um novo capítulo..

Lock e Jack. Sem dúvidas os meus personagens favoritos. Não foi pela aparência, pelo estilo de pensamento de cada um ou por admirar o trabalho excepcional dos atores. Não foi isso que os tornou tão filosoficamente especiais pra mim. O que me cativou foi o embate que eles representaram: fé X ciência. Razão X sensibilidade. Eles me fizeram descosturar em pensamentos e na emoção o sentido do metafisico, do senso comum, da percepção, do materialismo, da noção de corpo, espirito, mente, vida... Claro que todos os outros personagens e o contexto de construção narrativo em torno daquele espaço que é a ilha, contribuiram intensamente. - e aqui outro destaque para Benjamin Linus. No entanto, quando se tratava de diálogos tão densamente internalizados como eram os de Jack e Locke, ficava dificil distinguir em minha espiral de análise do mundo, a ficção do real.
Ficaria escrevendo sobre Lost por horas ainda..... A cada mensagem que ficou mais inúmeras outra questões vem a tona que me dão vontade de escrever e compartilhar....
Não fiquei buscando respostas, sentido pro que via, nem tentando decifrar os mistérios da ilha....... Fui me envolvendo com cada sentimento que foi sendo despertado durante os capitulos e olha que foram sensações infinitas...
Havia horas que simplesmente viajava pra longitude em vastidão que aquela ilha me dizia estar e mergulhava no espaço sem fim daquelas paisagens... Ou me sentia embriagada de azul daquele mar... Alias, o que seria da grandiosidade e complexidade das personagens da série se não fosse esse pano de fundo?
Cada um sabe bem no que crer e em como fazer.. E acredito que é justamente essa alteridade que faz as pessoas se apaixonarem ou simplesmente odiarem Lost. So sei que mudei. E meu mundo de sensações em proporçõe elevadissimas..que aqui seguem, pós-Lost: 
- Ninguem nesse universo infinito de possibilidades se conhece por acaso. O acaso é meramente uma nomenclatura para uma oportunidade de vivenciar algo em relação com um outro alguém diferente de você e  que é importante, que é essencial para o que significa você. Ou  para o que você ainda vai significar.
- Toda a energia que emana de seu ser é reflexo de onde você está, de como você se conecta com o mundo, e o que absorve em seguida dele e de quem nele vive.
- Tudo nessa vida tem um propósito. Execute bem o seu. E acredite num bem maior.
Lost foi a maneira divertida de me encontrar com essas idéias. A metáfora mais agradável de se dedicar a refletir a complexidade do que é o mundo em todos os seus planos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O sentimento de ser professora

Sou professora. Mas sequer escolhi ser. Escolhi a carreira mas não a forma como atuar profissionalmente. Confuso? Também não imaginaria que minhas opções gerariam essas possiveis interpretações mas é exatamente disso que se trata.
Escolhi saber das coisas da vida social e do homem, fugir da alienação que é afrouxada principalmente pela busca de conhecimento através da educação. Acreditava na necessidade pessoal de investigar o lado crítico do mundo pra entender melhor dele. No entanto, nao creditava ou ao menos me preocupava com aquilo que completa essa relação com vigor: aprender das coisas para re-transmitir a outros. Com isso, nunca havia me preocupado muito. E, também não era capaz de ver o quanto a relação do conhecimento só existe nessa via recíproca, ubíqua, intrinsecamente costurada.
Comecei a lecionar quando ainda não tinha refletido sobre a prática do que era ser professora. Iniciei antes de me formar, numa experiência valiosa, mas pouco referenciada para a fase que vivia. Me joguei na prática sem questionar os laços teóricos, sem aprender antes a desejar ser o que eu vivamente me tornava.
Meu primeiro ano foi colorido com a novidade de trabalhar, de me testar, de ficar eufórica com o que eu já conseguia ser. Encontrei muito carinho e afeto e voei pra construir mais um de meus muitos eus. Um EU novo mas que ainda nao mensurava o quanto ele se tornaria tanto de mim e mais se enraizaria pelo meu verbo ser. Não calculei os percalços e vieram os tombos....
Comecei a terapia. Quanto mais me jogava no cotidiano daquilo que eu mais contribuia pra me tornar, que são as atividades que mais consomem do nosso tempo social, mais me sentia afundando. Angústias, contagens regressivas, cinzas, aversão, incertezas, ansiedade, queixas, crises existenciais. E mais terapia.
Lendo isso tudo acima, tenho vontade de dar grandes risadas, porque hoje me emocionei com uma singela homenagem de uma escola que dedicou uns instantes do seu espaço-tempo a me lembrar o quanto é importante ser professor. E, hoje, meramente recuperada das crises, mesmo que com tantas ambições futuras gigantes e diferentes do que hoje sou, me orgulho do meu EU professora. Ser professor pra mim ultrapassou barreiras tão profundas que tinha construido sobre mim mesma, que ainda  me surpreendo com as mudanças tão minhas que encontro. Não é uma profissão do prestígio remunerado, nem da vaidade reconhecida através do respeito alheio, nem do glamour das artes, nem do sossego do contato com a natureza. No entanto sempre foi e é essencial às pessoas. Ela transmite energia do bem e isso é sempre bom perpetuar.
E, hoje, já enxergo o que me mantém presa ao que sou: contribuir mesmo que incalculavelmente para modificar as perspectivas dos mais diversos seres humanos para se tornarem alguém melhor. Esse melhor pode ser através de uma gratificante profissão; da descoberta de um dom a se dedicar e brilhar.
Um melhor que faz de uma menina ser uma melhor mãe. De um irmão alguém mais generoso entre os familiares. De um ser humano orgulhoso aprender a pedir desculpas. De um namorado arrependido de errar enviar uma rosa a sua amada. Que alguém fique melhor ao olhar para o filho depois de uma conversa e perceber onde pode melhorar. De amar e respeitar pessoas importantes pelo que elas são e nao pelo que venham representar para o mundo. E, com isso, me tornar sempre um ser humano melhor também.
Hoje estou feliz porque vejo a contribuição que posso trazer de bem ao mundo ao ser professora.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Simultaneidades escalares

Enquanto isso...

Descascam uma banana em Santarém... Arrotam bem alto na Zâmbia. Comem jabuticaba em Ponta Grossa. Tiram meleca no Iêmen. Coçam o pé em Laos. Olham um guia turístico em Sumatra. Compram um pônei em Taiwan. Depilam a perna nas Ilhas Salomão. Estudam calculo em Xique-Xique. Mergulham na Samoa Ocidental. Lavam uma bacia em Molokai. Acertam um relógio no México. Tomam vodka em São Domingos. Rezam um terço na Jamaica. Arracam um pedaço de folha de espiral no Suriname. Dormem de boca aberta em Baltimore. Pulam para não pisar numa poça em Macau. Escolhem a aliança em Diamantina. Saem do avião em Dallas. Preenchem um bilhete de loteria em Turim. Desenham um croqui em Nova Dheli. Podam o jardim em Marselha. Pedem outra rodada em Madagascar. Choram de amor na Armênia. Dirigem um triciclo em Dijibuti. Vibram com um show em algum pub em São Paulo. Tomam cerveja quente em Bahrein. Desafrouxam a gravata em Budapeste. Aprendem a jogar poquer em Nagoya. Acendem o abajour em Marabá. Compram virtualmente em Luxemburgo. Pintam a unha no Paquistão. Gritam gol em Lyon. Pagam o taxi em Quebec. Comem churros em Joinville. Planejam um pacote de viagem em Barbados. Escutam o estalar do milho de pipoca em Cantão. Quebram um prato no Zaire. Tomam banho de chuva em Borneo. Raspam o pote de massa de bolo na Coreia do Sul. Fumam um cigarro no Liechtenstein. Pedem a Deus na Tanzânia. Entregam uma pizza em Bali.

domingo, 15 de agosto de 2010

A expedição Langsdorff

Neste fim de semana fui conferir a Mostra Expedição Langsdorff no Centro Cultural Banco do Brasil. E, a cada dia mais, descubro o quanto é legal fazer Geografia fisica na prática. Sim, tenho consciência da polêmica que essa afirmação por múltiplas questões pode causar. No entanto, é isso mesmo que sinto.
A expedição Langsdorff caracterizou um periodo marcante para o país. Independente de quais interesses ela vinha atender, retratar paisagisticamente as imagens daquele Brasil de outrora foi uma ideia esteticamente e cientificamente fantastica. E também perigosa e desbravadora...
uma expedição com artistas e cientistas liderados por Georg Heinrich von Langsdorff se aventurou por 17 mil km do território nacional. Quando o país ainda era praticamente uma gigantesca floresta. Entre aquarelas, mapas e quadros assinados principalmente por Johann Moritz Rugendas, Aimé-Adrien Taunay, Hercule Florence e pelo cartógrafo Nester Rubtsov, a minha grande surpresa é saber que muitas destas obras são inéditas para o país. Imperialismo intelectual? Descaso inconsciente à época de conhecimento do território? Falta de estima criteriosa a respeito da necessidade de se ver também nesse Brasil? Não sei... mas fiquei meio revoltada, no sentido ufanista mesmo e encucada ao me informar sobre esse fato.
Um texto de curiosidades sobre a expedição aqui contada me informou que o alemão Georg Heinrich von Langsdorff (1774- 1852) formou-se em Medicina e frequentava sociedades científicas europeias. Em 1802, integrou uma expedição de volta ao mundo, sob comando de Adam Johann von Krusenstern. Naturalizado russo, Langsdorff foi nomeado pelo czar Alexandre I, em 1813, cônsul-geral no Rio de Janeiro. Lá, ele começou a idealizar uma viagem científica pelo interior do Brasil.
O trajeto e algumas imagens:





Eu desejaria que toda essa expedição tivesse sido um bom trabalho de campo de cientistas, artistas, jornalistas, enfim, de brasileiros interessados no assunto e que esse fosse um grande passo para o entendimento da brasilidade de dentro pra dentro. E não do exterior com o olhar estrangeirado. Mas isso não apaga o valor construtivo que a expedição deixa marcada em nós. E, ainda mais, o quanto a grandiosidade desta natureza e da sua energia foi revelada. O próprio Langsdorff, por aqui chegou e ficou. Sem tentativa de comemoração diante da constatação vigente que era aventurar a saúde ao embarcar nesta experiência, com as mortes que  vieram. Nos últimos anos da expedição, Langsdorff foi acometido por uma doença desconhecida, que causava surtos passageiros, durante os quais ele perdia a noção de tempo e espaço.





Entrevista com Boris Komissarov, organizador da exposição

Há mais de 30 anos, o russo Boris Komissarov, de 70 anos, professor da Universidade de São Petersburgo, ocupa-se dos estudos do acervo da Expedição Langsdorff. Abaixo, ele fala sobre a figura a quem dedicou tantos anos de sua vida.

O início - "Langsdorff não planejava organizar uma expedição tão grande porque a situação no Brasil era muito difícil, por conta do movimento pela Independência. No início, ele se concentrou em estudos próximos à sua Fazenda Mandioca, no Rio"

A ajuda russa -"A Rússia investiu uma quantia alta na Expedição Langsdorff - 330 mil rublos. Na época, o orçamento de gastos do país inteiro, para um ano todo, era de 363 milhões de rublos."

A relação com pintores - "Na época, não existia fotografia e o papel do pintor era importante para o registro de tudo. Mas eles não eram pessoas ‘da ciência’, o que dificultava essa relação. Acho que Florence inventou a fotografia pensando na dificuldade que Langsdorff tinha com pintores típicos. (Risos.)"

È, pra mim, super recomendado. Me faz entender mais de ser geógrafa, da grandiosidade do Brasil enquanto espaço fisico e material vivo,  e lamentar um tanto não poder ter privilegiado-me de avistar essas belas paisagens por si mesmas. Deixar me abraçar por esse encantamento de verde, por essas visões privilegiadas de céu, pelo barulho mais verdadeiro de vida no mundo Brasil.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Porto Alegre

Existem muitas coisas legais que curto em Porto Alegre. Entre elas: povo educado no trânsito (sei que depende do referencial mas levando em consideraçao o meu...), sem engarrafamentos, comida barata, povo elegante em suas vestimentas de inverno, polenta frita, pôr do sol no Guaíba, o sotaque, taxistas bacanas, estar a duas horas da Serra Gaucha...
Uma semana em Porto Alegre, reencontro com amigos ocasionais queridos, novas amizades que vieram pra ficar e cultivar,um passo importante na meta acadêmica... Terceira vez em Porto Alegre com excelentes resultados. Assim, aqui deixo uma homenagem, apesar de ter convivido com os 3 graus no termometro...

Essa encontrei num coletivo por lá:


MODERNIDADES

web
msn
orkut
scrap
blogs
emails...
mesmo assim
solidão em mim

Eliane Alberche